VIVISSECÇÃO
Sacrifício animal: A morte com aval da ciência
(Fonte: Holocausto – Milly Schãr Manzoli- Editora da Taps)
Os animais sacrificados por pesquisadores da área médica, indústria alimentícia e de cosméticos, entre outras; para justificar a vivissecção, a maioria dos cientistas adota a teoria da necessidade humana. Há quem afirme, porém, que essa é uma pratica dispensável e até mesmo inútil.
"Sereis um motivo de terror para todo o animal da terra, para toda ave do céu, para tudo que se move sobre a terra, para todos os peixes do mar: eles estão entregues nas vossas mãos." (Gênese 9, 2 e 3) "O homem é senhor e proprietário, enquanto o animal não passa de um autômato, uma maquina animada. Quando um animal geme, não é uma queixa, é apenas o ranger de um mecanismo que funciona mal. Quando a roda de uma charrete range, isso não quer dizer que a charrete sofra, mas apenas que não está lubrificada. Devemos entender da mesma maneira os gemidos dos animais, e é inútil lamentar o destino de um cachorro que é dissecado vivo num laboratório." (Descartes) Até o século XVII, as ciências físicas limitavam-se ao que se denominava "filosofia natural", indagando apenas os fatos da vida diária, auxiliada pela linguagem matemática. A partir desse século surgiram as "Sociedades Científicas", entidades livres da subordinação governamental e da igreja. Nessa época foi facultada aos estudiosos a penetração em áreas antes interditadas, consolidando-se, então, o método experimental. #9;O propósito de se estudar o mundo natural se resumia (e ainda se resume) em que a natureza, desde que conhecida, seria denominada, gerida e utilizada a serviço da vida humana. Os estudos dos animais objetivavam determinar se eles podiam ser de alguma serventia ao gênero humano, como alimento e remédio, e se esses e quaisquer outros usos deles podiam ser ainda mais aprimorados. E isso continua acontecendo ainda hoje. A convicção de que havia uma diferença fundamental entre a humanidade e as outras formas de vida abriu o caminho para o exercício ilimitado da dominação humana. E com o cartesianismo instaurou-se um corte absoluto entre o homem e o restante da natureza. A declaração sobre os animais feita por Descartes, cujas atitudes e opiniões são aplaudidas até agora pelo mundo científico, simplesmente tira o fôlego. E é essa atitude, digna de um Hitler, que justifica até hoje as experiências em animais feitas por "cientistas" do mundo inteiro. Cerca de 400 milhões de animais são sacrificados todos os anos pelas necessidades da vivissecção. Um terço desse incrível número pertence à investigação médica; dois terços a atividades diversas: indústria de alimentação, cosméticos, produtos de limpeza, tabaco e indústria de guerra. São ratos, ratazanas, coelhos, cães, gatos, macacos, cavalos, bois – conhecidos nos laboratórios como "instrumentos biológicos". A vivissecção não é nova. Podemos considerar Gallien, químico francês do século passado, o fundador dessa prática. Ele feria ou mutilava macacos e cobaias para conhecer as desordens assim produzidas. Estudou os efeitos da destruição da medula espinhal, perfuração do peito, da secção de nervos, das artérias. Depois surgiram vivissectores ilustres como: Graaf, Harway, Asselli, mais tarde Claude Bernard. Numerosos médicos e cirurgiões, na verdade, consideram a vivissecção inútil. Ao constatar que a sua vacina contra paralisia infantil causou poliomielite e/ou câncer em vários macacos, o famoso cientista Albert Sabin declarou: "É tempo de acabar com experiências em animais, porque elas não são relevantes para os humanos". Segundo o professor Mathé, diretor do Instituto de Câncer, em Villejuif, na França, "Os ensaios de medicamentos em animais não permitem uma boa escolha e nada garante com segurança que os mesmos resultados possam ser obtidos no homem". Para o professor Giroud, da Universidade de Montpellier, na França, "os ensaios nos animais nunca darão uma perfeita satisfação, pois, por sua constituição, tamanho e reações orgânicas, ele difere enormemente do homem". "Os dados obtidos com os animais não podem de modo algum sobrepor-se aos obtidos do homem... Se não houvéssemos esperado tanto dos trabalhos em animais, não teríamos tido tantos fracassos no homem", afirmou o dr. Grosnier, no hospital Neckar, em Paris. Segundo o prof. Kiembe, da Alemanha Ocidental, "as experiências em animais até agora não nos permitem de modo algum estabelecer paralelos com o homem. Os produtos mais perigosos encontram-se exatamente entre aqueles que foram mais exaustivamente estudados nos animais". Os animais reagem de maneira diferente da nossa: o porco espinho absorve sem perigo uma dose de ácido prússico capaz de matar um regimento. O coelho e o pombo ingerem sem problemas uma dose de beladona que mataria um homem. A salsa mata o papagaio; as amêndoas são tóxicas para cães; e muitos cogumelos consumidos pelos coelhos são extremamente perigosos para o homem. A morfina que acalma e anestesia os homens, causa uma excitação doentia em cães, gatos e ratos. Como a última etapa das experimentações com animais é sempre a experimentação no homem, freqüentemente as conseqüências são desastrosas. Os egípcios sabiam das diferenças entre homem e animais. Por isso, para verificar se a comida do faraó continha veneno, davam um pouco de comer ao cozinheiro e não ao gato... No "teste de amor maternal", uma macaca foi colocada com o filho nos braços, sobre uma plataforma escaldante. Motivo: descobrir se o animal usaria o filho para se salvar ou se sacrificaria para salvar o filho. A macaca deu uma grande lição ao "cientista": se sacrificou para salvar o filho... Outro sádico inventou de amarrar macacos em troncos e atira-los contra uma parede. Conclusão fantástica: o grau de ferimento é relacionado com a velocidade do veículo. Duzentos macacos tiveram de morrer para provar essa verdade cientificamente... Diz a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada por líderes de todos os países do mundo, numa Assembléia da UNESCO em Bruxelas no dia 26 de janeiro de 1978, referindo-se às experiências científicas: "A experiência animal que implica sofrimento físico é incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica, científica, comercial, ou qualquer outra. As técnicas substitutivas devem ser utilizadas e desenvolvidas". Membros da comunidade científica defendem as experiências em animais porque são feitas pelo bem da humanidade. Por outro lado, as diversas organizações em defesa dos animais dizem que eles são submetidos a experiências das mais dolorosas, de todos os tipos, a maioria delas apenas para satisfazer a curiosidade do pesquisador ou cientista. Fica a questão crucial de toda essa controvérsia: mesmo que as experiências forem úteis para o bem da nossa raça, temos o direito de atravessar rios de sangue, ignorar atrozes sofrimentos de outros seres para melhorar a própria saúde, não percebendo que desse modo estamos barrando automaticamente o acesso a curas alternativas, mais mansas, humanas e tão eficazes, se não mais? A revista Newsweek de 16 de janeiro de 89 dedicou seis paginas ao problema da vivissecção sob o título Of pain and progress ( De dor e progresso), questionando a experimentação com animais. Em uma das experiências, feita pelo governo dos EUA, cachorros bigles foram alimentados com pesticidas e expostos à radiatividade até sangrar pela boca e pelo ânus. Psicólogos submeteram vários animais inteligentes ao medo e desespero ou "morte psicológica", tentando analisar esses estados emocionais... Jane Goodall, primatologista mundialmente conhecida por seu trabalho com chimpanzé na Tanzânia, descreveu no New York Times sua visita , em 1987, aos laboratórios do governo em Rockville, Maryland, EUA, onde são feitas experiências com chimpanzés sobre a AIDS e hepatite. Escreveu Jane: "Nunca esquecerei a expressão nos olhos daquela chimpanzé e de outra fêmea, ainda filhote. Aquela imagem me perseguirá pelo resto de minha vida. Vocês já viram os olhos de uma pessoa que, pressionado além de suas forças, sucumbiu finalmente a um desespero paralisante e total?" Exemplos desse tipo são inúmeros e os laboratórios brasileiros tampouco ficam atrás: recentemente, uma estudante de medicina em São Paulo, cada vez mais horrorizada pelas experiências com animais a que assistia, "seqüestrou" um dos cachorros, na esperança de salvar a vida do animal. Ela entregou o cachorro aos cuidados da União Internacional Protetora dos animais, mas, apesar dos esforços do veterinário da entidade, o cachorro morreu. A necropsia deu o seguinte resultado:Sempre que alguém diz "não devemos ser sentimentais", entenda-se que está prestes a fazer algo cruel. E se acrescentar: "temos que ser realistas", significa que vai ganhar dinheiro com isso.
(Brigid Brophy)
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